Entrevista Jorge Antonio Jorge – O Espírito Santo e seus desdobramentos na obra de Jung

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Confira a entrevista do Analista Junguiano Jorge Antonio Jorge.

Confira a transcrição da entrevista:

O meu nome é Jorge Antonio Jorge, sou Psicólogo, e a minha área de interesse é a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung. Eu fiz minha formação no Instituto Junguiano do Paraná, que é filiado à AJB e à IAAP. que é a Organização Internacional.

A divinização do homem está ligada a esse processo de evolução da consciência, como esse processo pode ser lido através da Psicologia Analítica? 

A Psicologia Analítica vê a consciência ou o desenvolvimento da consciência como o centro da vida. A consciência é o que a gente tem que estar trabalhando o tempo todo e trabalhando para desenvolver para o que a gente é, faz e vive seja consciente. O inconsciente vai estar se manifestando o tempo todo, e através da análise de sonhos, de fantasias, e das próprias questões da vida a gente pode saber qual é o caminho a ser seguido e aquele outro a ser abandonado, se for o caso. 

O inconsciente é uma força propulsora da vida. Como o inconsciente se relaciona com o corpo, a alma e o espírito? 

O inconsciente é a força propulsora no sentido de nos dar as informações para que a gente possa se prestar atenção, se trabalhar. E se tiver atento e aplicar essas mudanças vindas do inconsciente, poder desenvolver a consciência. E desenvolvendo a consciência, o todo está incluído, o corpo, a alma, que a gente pode traduzir também por psique ou mente, e o espírito. Esse todo é o que nos compõe, e esse todo vai ser, então, direcionado por tudo isso que o inconsciente traz e que a gente consegue se prestar atenção. Se fizer o trabalho, analisar, incorporar ao consciente e aí desenvolver uma vida ligada a essas informações. 

O Espírito Santo e seus desdobramentos na obra de Jung é um de seus trabalhos. Como Jung reflete esse conceito em sua Psicologia? 

A figura do Espírito Santo, simbolicamente, e aqui não do ponto de vista teológico, ela é uma figura criada pela reflexão humana. Ou seja, o homem criou essa figura do ponto de vista de estar refletindo continuamente sobre a sua ligação com Deus, como uma figura que está presente o tempo todo em nossas vidas e que permite que a gente possa, então, manifestar esse divino internamente e não ser um divino exposto e influenciado externamente, é algo que vem de dentro. E é aí que o Jung entra, o Jung entra com essa questão, de que o Espírito Santo é realmente essa força interna que existe e que permite ao homem o seu processo de divinização ou de espiritualização. E essa força atua durante a nossa vida toda. 

De que forma o Espírito Santo pode ser vivenciado como sentido mesmo para o indivíduo? 

Então, o Espírito Santo pode nos levar ao processo de divinização, que é ter Deus em mim. E esse processo de divinização pode ser ligado à minha individuação, ao meu processo de individuação. A partir daí, de fazer esse trabalho, que é um trabalho árduo e que precisa de muito tempo e que precisa de atenção, cuidado, precisa de energia, precisa romper com uma série de coisas que são colocadas na nossa vida e que a gente não tem consciência e não quer fazer. A partir do momento que se torna uma consciência fazer essa limpeza, aí o Espírito Santo pode se manifestar e a gente dar um sentido na vida, que seja um sentido que faz parte do corpo, da alma e do espírito. 

Como é possível encontrar esse fio condutor para encontrar, de fato, esse sentido? 

Ele existe na vida de todos nós. Se nós prestarmos atenção, ele está todos os dias presente. Está nas manifestações que acontecem das coisas de relacionamento, de trabalho, de físicas, do corpo, o tempo todo este sentido está presente. O que acontece é que a gente vive em uma sociedade que ocupa nosso tempo com um monte de outras coisas que não permitem a dedicação à exploração dessas questões que vêm através do inconsciente. Então a gente perde muito tempo na vida pagando conta, montando negócio, viajando, fazendo quinhentas coisas que ocupam nosso tempo, e as mensagens que através dos sonhos, das fantasias, das coisas que dão certo na nossa vida e das coisas que estão erradas, dos relacionamentos que a gente têm, não são levadas em consideração, a gente prefere fazer uma viagem do que ficar uma semana pensando em alguma coisa que vai mudar a minha vida. A partir do momento que eu dou atenção para isso, e essa atenção se transforma em consciência, a minha vida começa a tomar o sentido que ela deve ter. 

Como o Self e o Espírito Santo se correlacionam?

O Self é um conceito junguiano que coloca como o centro da vida. A gente tem durante uma primeira parte da vida o ego como centro que nos ajuda a fazer o que a gente tem que fazer, a desenvolver a vida, a conquistar as coisas, a evoluir e uma série de outros aspectos. Mas o Self é o que deve ocupar o centro nesse aspecto a partir de um determinado momento da vida. O Espírito Santo é o que permite o desenvolvimento dessa imagem divina, da Imago Dei, a imagem divina em nós. E essa imagem divina está ligada so Self, Jung diz, inclusive, que essas duas coisas são idênticas, ou seja, quando eu desenvolvo a minha divinização dou chance para o Espírito Santo fazer o seu trabalho. Espírito Santo aqui simbólico, como algo que o tempo todo está atuante, como algo que nas coisas que acontecem na minha vida, boas ou ruins, fantasias ou realidades, estão atuantes e na medida que eu deixo esse Espírito Santo, essa força atuar, eu posso chegar ao processo de divinização e, aí sim, ter o self no centro da minha existência psíquica e, a partir daí, achar o sentido. 

Professor, para finalizar gostaria que o senhor deixasse uma palavra para as pessoas que estudam Religiões e Psicologia nessa busca de um grau ainda maior de consciência, do caminho da individuação. 

A vida está presente, depende de cada um de nós pensar individualmente nessa vida e no que ela nos traz. Deixar de seguir esses caminhos mais massificados ou mais de grupo e viver mais as questões pessoais, e através de um processo de análise entender o que acontece com cada um de nós. O processo vai acontecer de qualquer forma, se eu dedicar meu tempo, investir meus recursos para que essa análise seja feita à medida em que eu estou em evolução, eu vou poder aproveitar muito mais o caminho da minha vida com mais consciência, se eu não fizer isso, a consciência vai vir, mas muito provavelmente no momento em que a possibilidade de aproveitar isso já seja escassa ou pequena. Então, prestem atenção em tudo que acontece na vida de vocês, analisem, vejam o que isso está contribuindo ou o que está trazendo, e tomem as decisões que têm que ser tomadas. Todas essas mudanças são mudanças do destino, e são sofridas, doloridas e requerem muito trabalho e muita energia, mas elas têm um resultado maravilhoso. 

Jorge Antonio Jorge é Analista Junguiano, membro do IJPR, AJB e IAAP e professor no curso de Pós-Graduação em Psicologia Analítica e Religião Oriental e Ocidental no ICHTHYS Instituto.

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