Sonia Lyra apresenta artigo sobre Imaginação Ativa no Festival of Dreams nos Estados Unidos

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Marcando a data de seu aniversário, a Analista Junguiana, Sonia Lyra, PhD, concedeu uma entrevista para contar um pouco de sua experiência no Festival of Dreams. O evento, organizado pela IASD (International Association for the Study of Dreams) aconteceu nos dias 12, 13 e 14 de abril de 2019 em Santa Cruz, Califórnia.

Confira a íntegra da entrevista:

Sonia, primeiramente parabéns pelo seu dia, e agradeço também, por nos receber para esta entrevista. Dando início: como foi o primeiro contato com a equipe do Festival of Dreams nos EUA e como foi sua experiência na apresentação do artigo Transforming Dreams in Active Imagination?

Sonia: Lá eles têm uma formação que se chama dreamwork, que é bem diferente do modo como trabalhamos os sonhos. Treina-se para ser um “escutador de sonhos”. E aí você não precisa ser psicólogo. Ao meu lado, por exemplo, tinha um pastor de uma das igrejas de lá e ele era um dreamworker. Ele tinha designado isso no cartão de visita dele. Mas, entre ouvir os sonhos e trabalhar os sonhos, compreender os sonhos, existe um abismo. Então dá a impressão que eles fazem algo básico, sem o aprofundamento que nós temos hoje, especialmente a visão que temos através da Psicologia Analítica. Uma vez que acompanho alguns grupos para estudos de análise e interpretação de sonhos eu me interessei em participar e saber melhor o que os terapeutas de outros países estão fazendo com relação aos sonhos.

E pelo que você pode perceber, os participantes do evento, já haviam tido contato com Imaginação Ativa?

Sonia: Eles não usaram o termo Imaginação Ativa, mas teve um relato de caso onde o sonhador trabalhou com o sonho, dialogando com o personagem. Foi um diálogo racional bem curtinho. Não se usa o nosso “como se…” que insere a linguagem analógica na interação da consciência com o inconsciente. Então, uma coisa é você dialogar com o personagem, outra é abordar a Imaginação Ativa em todas as suas nuances. Imaginação Ativa não é só o diálogo, ele tem todo o campo interativo da consciência com o inconsciente, cujos procedimentos devem ser adequados.

No evento, os participantes chegaram a abordar a relação dos sonhos com a Psicologia Analítica?

Sonia: Não. Teve um dos participantes que abordou O Poder do Mito de Campbell. Falou-se em vários momentos sobre a presença do mito nos sonhos, isso foi bastante falado, inclusive foi abordada a história do mito e tal. Então, em termos de mitologia eles focaram várias vezes. Falar de Jung, propriamente, quem fez fui eu.

Falar dos sonhos é falar de símbolo, é falar de arte. Pelas fotografias que registrou, pudemos sentir muito o contexto artístico no evento. Conte-nos um pouco sobre o Festival e sua relação com a arte.

Sonia – Em um flyer do evento, publicado pela IASD, dizia o seguinte: “Sonhos mudam a sua vida.” Então, como é que acontecem essas mudanças? É, claro, o nosso foco principal é fazer as associações livres do sonhador. Uma coisa bem bacana que entendi que eles fazem muito bem lá, é transformar os sonhos em expressões artísticas, não vou te dizer propriamente Arte, porque Arte é uma coisa e expressões artísticas são outra coisa. Então, no festival foram apresentadas técnicas expressivas através de  pinturas, sons, composições com colagens etc. para representar os sonhos. Para mim, o sonho em si não é uma técnica expressiva, ele é uma linguagem do inconsciente, mas que pode ser representado através de técnicas expressivas para que possa ser visualizado.

Sonia, você trouxe várias publicações de lá. Livros sobre sonhos. Acredito que ainda não deu tempo de você ler, mas pelo que você folheou, o que percebe do material produzido lá?

Sonia – Ainda não me inteirei do conteúdo desses livros. Um deles é mais um diário de sonhos do que um livro propriamente dito. Ele vem com algumas ideias centrais para se refletir sobre sonhos. “Fale três ideias centrais do sonho. Anote três ideias centrais. Anote suas associações ou desenhe seu sonho.” Ou seja, ele é meio que um diário sobre sonhos.Um outro aborda: “Os sonhos e os ciclos lunares.” Um outro que fala da integração dos sonhos, da energia psicológica do sujeito. As energias expressas, as perspectivas históricas, os passos que você pode dar para trabalhar o seu sonho, como anotar, usando cores, usando associações. Parece não ser propriamente um trabalho de análise e interpretação de sonhos.

Sonia, conte-nos sobre a apresentação do seu artigo: Transforming Dreams in Active Imagination, e como percebeu a reação do público diante de sua apresentação.

Sonia – Algumas reações foram assim: “Nossa, que interessante você chamar a nossa atenção para o fenômeno da escuta na Imaginação Ativa.” Porque eu frisei isso e nós conversamos um pouco sobre isso, um dos participantes falou assim: “Nossa, isso aqui é bastante importante para nós, o problema da escuta.” A outra questão que apareceu na minha apresentação é que a forma como eu trabalho com a Imaginação Ativa tem que incluir a linguagem analógica. Isso é fundamental. Os sonhos já se revelam metaforicamente através das imagens que eles trazem, mas na Imaginação Ativa eu tenho que ir em busca das imagens expontâneas que o próprio inconsciente fornece, caso o diálogo seja bem conduzido. Eu tenho que usar a linguagem irracional ou não é uma Imaginação Ativa. Esta pode ser facilmente confundida com a Fantasia Passiva.

Sobre seu artigo, o que você destaca como ponto principal em sua apresentação?

Sonia: Nós temos, em princípio, basicamente, quatro vias de acesso à Imaginação Ativa: sejam os sintomas; seja eu simplesmente pedir uma imagem ao inconsciente; seja trabalhar uma fantasia passiva ou entrar na Imaginação Ativa através do sonho. Então, foi isso que eu quis mostrar: Que podemos, através de um sonho, abordar a Imaginação Ativa e, a partir desta, desencadear conscientemente o processo de assimilação. Eu levei um exemplo que está no nosso livro “Imaginação Ativa e Criativa”, mais propriamente no artigo da Sandra Almeida, que escreveu sobre Imaginação Ativa e Sonhos. Só pude apresentar alguns fragmentos do trabalho porque o tempo de apresentação é muito pouco.

Sonia, o que você recomenda para quem quer saber mais sobre a técnica da Imaginação Ativa?

Sonia – As pessoas têm pedido curso de Imaginação Ativa. Esses cursos, por enquanto, somente eu tenho ministrado. É preciso praticar consigo mesmo. Muito! Após o que, psicólogos e psiquiatras podem utilizá-la na psicoterapia.

Essa é a primeira de algumas viagens que você fará neste ano para levar Imaginação Ativa e para também saber o que pessoas de outros países estão falando sobre o assunto. Qual são os próximos destinos já confirmados?

Sonia: Então! Está programado neste mês de maio uma viagem para participar do 36ème Workshop de Psychology Analytique de L’Enfant et de l’Adolescent, que acontecerá em Ávila, na Espanha. Esse evento é com o grupo da International Association of Analytical Psychology, IAAP. Nesse encontro eu também quero conhecer os analistas e conversar com eles sobre a presença da Imaginação Ativa na prática clínica.
Em junho, estarei em Kerkrade na Holanda onde teremos a 36th Conference of the International Association for the Study of Dreams da IASD/ International Association of the Study of Dreams onde apresento INITIATORY DREAMS. Essa é uma grande novidade. Nós não temos esses sonhos incluídos na classificação de sonhos. Em junho ainda embarcarei para Moscou/Russia onde apresentarei no XVI European Congress of Psychology ACTIVE IMAGINATION: FOR PSYCHOLOGY WITHOUT BORDERS. Não sem antes ir ver o show do Dimash Kudaibergen no Casaquistão, risos. Depois em setembro volto para a Europa para apresentar o artigo Active Imagination: the effective factor in the practice of psychotherapy no ICAPJA International Conference on Analytical Psychology and Jungian Archetypes em Zurique. Nesta interação com Psicólogos de outros países me tornei Membro da International Council of Psychologists.
Como Membro do ISTSS, em novembro deste ano ainda volto para os EUA onde estarei em Boston apresentando um trabalho sobre Active Imagination applied to PTSD Post-Traumatic Stress Disorder due to Urban Violence Clinical Case Study na International Society for Traumatic Stress Studies 35th Annual Meeting. Como você vê, esse ano que está dedicado a viagens e congressos internacionais com o objetivo principal de apresentar os Sonhos e a Imaginação Ativa e conhecer de perto o trabalho dos colegas internacionais através de novas perspectivas.

Para conhecer ainda mais sobre os projetos de Sonia Lyra, PhD, confira os livros da autora, os cursos de extensão e de Pós-graduação do ICHTHYS Instituto

www.sonialyra.com.br

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